Nem toda mulher tem vagina, algumas tem pênis.
Nem toda mulher é XX, algumas são XY, XXY, X0 entre várias variações cromossômicas
Nem toda mulher se atrai por homens
Nem toda mulher tem seios grandes e vive maquiada
Nem toda mulher usa saia e vestido todo dia, muitas são despojadas.
Nem toda mulher está sempre com as unhas feitas
Nem toda mulher chora assistindo um filme piegas, mas eu choro
Existem mulheres fortes, fracas, gordas, magras e nada as torna menos mulheres
A mulher arquetipa do início do séc XXI é diferente da do Séc.XVI
Esses arquetipos são racistas, classistas, heteronormativos, cissexistas, binatistas, eurocêntricos e machistas
Mas são só arquetipos
Ser mulher não é ser um Arquetipo
Tão pouco um achismo
É uma experiência que iguala enquanto gênero
E que não se anula, mas se completa na diversidade
A mais de 100 anos Sojourner Truth proferiu o discurso "E eu não sou uma mulher?" pois na união do movimento sufragista e abolicionista a mulher era vista como apenas a branca do norte. Hoje revirando a rede vejo uma figura "nem todas as mulheres tem vagina" 1080 pessoas curtiram, mas 12 comentaram desvalidando a imagem "se tem penis é homem". Mês passado em uma conferência sobre formação etno-patriarcal da sociedade brasileira um homem branco interrompe a fala para protestar "viemos aqui para falar de mulher ou de preta?" é triste que mais de 100 anos depois o corpo ainda sirva para desvalidar a generidade feminina. Se o homem universal dos direitos humanos é branco, do sexo masculino, tem posses, é hetero e cis, essa tendência universalizante serve para decidir quem não é digno de humanidade em uma escala que vai das mansões do jardim Europa às ruas da boca do lixo. Pessoas cotadas com preço variável e algumas valendo muito pouco. Capitalismo patriarcal racista hetero/cisnormativo. Bem, uma tarja estampada no corpo pode dizer não recomendado à sociedade, mas as pessoas deveriam ser pensadas em suas generificações, racializações e todas as caracteísticas que a compõe. Quando uma pessoa Trans diz sou homem/mulher ela está reconhecendo sua generificação e falando, me aceite, existo, e não "você é obrigado a se relacionar sexualmente comigo" . De resto há muita falácia, se os negros estão aquém da humanidade até hoje as pessoas trans não tem direito de reconhecerem seu gênero e devem se igualar aos padrões sociais vigentes pela marcação genital de gênero. Se a biologia não é o caminho e não se nasce mulher, se torna, se há sociedades com 3 ou 5 gêneros oficiais, façamos um transfeminismo de validações e luta por existência. Existência é resistência.

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